segunda-feira, 3 de setembro de 2012

As mulheres de Chico

em geral por em 04 de set de 2012 às 01:08
Poucos artistas descrevem tão bem o universo feminino, como Chico Buarque. Os amores e desamores, e a fragilidade dos sentimentos do sexo dito como frágil, são os principais assuntos de suas canções.
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Chico Buarque é um poeta de alma. Suas composições repletas de declarações de amor, são tudo que a maioria das mulheres gostaria de ouvir, ou até mesmo de dizer à alguém. São Marias, Luízas, Yolandas, Rosas, Ritas, que sofrem ou são objeto de desejo. Em Olhos nos olhos, Chico diz o que muitas mulheres diriam para seus homens, como o trecho clássico "Olhos nos olhos, quero ver o que você faz, ao sentir que sem você eu passo bem demais", que define a volta por cima depois da turbulência do fim de um relacionamento.
O cantor é um expert em desvendar os mistérios femininos. Descreve mulheres fortes, frágeis, guerreiras, que dançam no meio dos salões e arrasam corações por onde passam. Mulhes que esperam por seus amores, choram por suas dores e acima de tudo, lutam por aquilo que querem.
Fica evidente a admiração que ele possui pelas mulheres. Até mesmo traições acabam sendo ditas da maneira mais carinhosa possível "Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida, pra agradar meu coração", é o que diz um homem ao voltar para a amada, arrependido por andar de bar em bar. A mulher, apaixonada, concede o perdão e esquenta o jantar para ele. Eterno apaixonado, porém, entre todas as suas musas, Luísa, sua filha, se destaca e dá nome a uma de suas mais belas canções. Por ela, ele faz a lua, faz a brisa, pra Luísa dormir em paz. Outro ponto forte em suas composições, é a militância. Em "Acorda amor", ele relata o momento de uma invasão militar, enquanto ele dormia com sua amada, e seu exílio "se eu demorar uns meses, convém, às vezes, você sofrer".
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Uma das características do romantismo de Chico, são as histórias de amor contadas em suas canções. Em "Anos dourados", ele canta o lamento de um homem, divorciado, que ao ver uma antiga foto sua com a ex-esposa, em um dia feliz de dezembro, percebe que ainda a ama, mas que não pode voltar aos anos de ouro que viveu ao lado dela. Já em "A moça do sonho", chico relata um amor platônico, uma mulher perfeita idealizada em um mundo de fantasias. Sua letra diz que se houvesse um lugar onde os sonhos fossem parar, ele não voltaria jamais. E quem voltaria?

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Estampa de camisa com a caveira de famosos mortos

Estampa de camisa com a caveira de famosos mortos
Foi através das estampas em camisas que o site "Dead Famous Clothing" resolveu lançar alguns desenhos de famosos mortos com o rosto de caveira. Alguns detalhes e objetos parecem favoráveis ao reconhecimento das celebridades, mas sua inspiração, provavelmente, vem das caveiras mexicanas. O legal disso tudo para os fãs que gosta do estilo 'underground' das ilustrações, é colecionar.

Estampa de camisa com a caveira de famosos mortos
Estampa de camisa com a caveira de famosos mortos
Estampa de camisa com a caveira de famosos mortos
Estampa de camisa com a caveira de famosos mortos
Estampa de camisa com a caveira de famosos mortos
Estampa de camisa com a caveira de famosos mortos
Não reconheceu os astros acima? Calma! Deixe seu comentário e visite o site: famousdeadclothing.co.uk.

A feliz Casa da Flor

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Se elevássemos as megatendências de hoje a milésima potência, certamente chegaríamos ao conceito da Casa da Flor, construída a partir de 1912, em São Pedro da Aldeia (RJ), por um homem pobre, trabalhador das salinas da região, que nunca freqüentou uma escola.
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Gabriel Joaquim dos Santos (1923 e 1985) foi embelezando seu lar com materiais recolhidos no lixo doméstico e no refugo das obras civis, guiado por sonhos e uma fértil imaginação.
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“Eu tenho um pensamento vivo. Sonho pra fazer e faço. A casa depende do espírito, é uma casa espiritual”
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Obra da “arquitetura espontânea”, em que o morador vai construindo sua casa indefinidamente, acrescentando adornos, objets trouvés, ladrilhos, cacos, enfim uma série infinita de peças e adereços de colocação muitas vezes curiosa e harmônica.
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“Esta casa é uma história porque foi feita por pensamento e sonho”.
Considerada uma obra prima da arquitetura espontânea no país, a Casa da Flor, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural tem sido objeto de estudo e merecido análises de críticos de arte, dentre os quais Ferreira Gullar, que o qualificou como “um artista em estado puro”.
Sua obra é expressão de uma grande riquesa interior. É a personalização materializada.
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“Eu quero os cacos porque dos cacos eu vou fazer as coisas para as pessoas se admirar, pra quê quero comprar uma jarra nova? Jarra comprada eu não preciso. Isso não tem graça”
Em todos os tempos, nas mais diversas regiões do mundo, certas pessoas, desligadas de compromissos com regras e modelos determinados por sua cultura, criam intuitivamente a habitação em que vão viver. Constroem para si a casa nascida de suas idéias, fruto da manifestação do seu inconsciente, são os “construtores do imaginário”.
É uma arquitetura baseada em soluções surpreendentes porque foge dos padrões tradicionais e é feita com de materiais considerados pouco nobres e nada convencionais.
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Sem recursos, Gabriel lentamente, ergueu a casa de pau-a-pique, cheia de cacos de cerâmica, de louça, de vidro, ladrilhos, lâmpadas queimadas, pedras, conchas, pedrinhas, correntes, tampas de metal, manilhas, faróis de automóveis… Aos poucos foram formadas flores, folhas, mosaicos, cachos de uvas, colunas e esculturas fantásticas, fixadas dentro e fora da casa.
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“A gente entra nas cidades grandes, aquilo lá está tudo moderno, tudo bem organizado, tudo custa muito dinheiro. As pessoa vêem ali a força da riqueza. Mas aqui elas gostam de ver porque é a força da pobreza”
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Aqui estão reunidos os conceitos de casa como meio de expressao, personalidade, reciclagem, customização, ousadia, arquitetura da felicidade. Enfim, tudo o que as pessoas de um modo geral estão começando a buscar para si, um novo jeito de viver.
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“De noite, acendo a lamparina, me sento nessa cadeira, oh, que alegria para mim! Quando eu vejo tudo prateado, fico tão satisfeito… Tudo caquinho transformado em beleza… Eu mesmo faço, eu mesmo fico satisfeito, me conforta…”
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Com o objetivo de preservar e divulgar a casa e o trabalho de Seu Gabriel, um grupo de admiradores criou, em 1987, a Sociedade de Amigos da Casa da Flor, hoje Instituto Cultural Casa da Flor.
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“ Aquelas flores são feitas com caco, de telhas, é um coisa mais forte, caco de pedaço de pedra, porque quero fazer que fique aí, não se desmanche. A chuva bate, lava, é sempre, é uma sempre-viva aquilo”.
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“Deus me deu essa inteligência. Vêm aquelas coisas na memória e eu vou fazer tudo perfeitinho como eu sonhei”.
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A Casa da Flor fica no bairro Parque do Estoril, antigo bairro do Vinhateiro, na Estrada dos Passageiros, 232 – São Pedro da Aldeia, RJ
Telefone: (22) 2625-0719

terça-feira, 24 de julho de 2012

Só o amor salva


Alto, forte, mãos ásperas, cabelo comprido, roupas simples e jeitão de índio. À primeira vista de olhos preconceituosos, o artista Jordão pode ser confundido com um nômade que sobrevive do artesanato que vende aos turistas que visitam Natal, no Rio Grande do Norte. Anônimo na multidão José Jordão Arimatéia é — simplesmente — um dos maiores escultores de painéis em cimento do continente.

Certo, pode até ser exagero, mas além da estatura corpulenta, esse natalense de 59 anos prefere trabalhar com grandes esculturas e painéis gigantes que adornam fachadas de prédios e auditórios. Como se não bastasse, é dele o maior painel de concreto da América Latina.

A história de sua infância humilde poderia muito bem ser confundida com outras não fosse pela arte. Aos oito anos, ainda José Arimatéia, o artista trabalhava em uma fábrica de pré-moldados de cimento e sempre dava um jeito da massa sobrar. “Tinha um quartinho nos fundos da fábrica que foi meu primeiro ateliê. Ninguém sabia de nada. Quando o dono descobriu primeiro levei uma bronca, mas ele percebeu algo e acabou permitindo que continuasse a criar”, lembrou.

"Desde os quatro anos sabia que ia ser artista"

O “Jordão” foi incorporado aos 14 para 15 anos — “um apelido dado por minha professora, inspirada no rio que a Bíblia tanto fala, pois vendia lata d’água no bairro pra ganhar uns trocados”, desconversa o índio caboclo. Pouco depois, como muitos adolescentes de tantas famílias brasileiras menos favorecidas, José Jordão Arimatéia teve que abandonar os estudos e ir ‘se virar’: “Nunca tive outra profissão, sempre fui artista. Aos quatro anos já sabia que ia ser e que queria ganhar a vida como artista”, diz com orgulho. “Tive que ir trabalhar para criar um menino que deixaram na nossa porta. Vendia esculturas de santos em barro pra vizinhança”.

Esculturas que viraram atração turística

Entre os anos 1970 e 80, o artista — filho de Severina Maria da Conceição, lavadeira e cozinheira, ainda viva — assinou vários trabalhos que até hoje chamam a atenção de quem passa em frente a seus trabalhos. Em Natal, os mais significativos são facilmente identificados na paisagem urbana da capital potiguar: no estacionamento do antigo hotel São Francisco, no bairro do Alecrim (atualmente Hotel Buriti www.hotelburiti.com.br), grandes figuras de concretos parecem saltar do muro no estacionamento do lugar.

As estátuas — hoje ponto turístico do movimentado bairro comercial — representam divindades dos mares, como um sisudo Netuno rodeado por sua corte de sereias. “Não terminei esse trabalho, acertei no dinheiro da época 83 mil e só recebi 3 mil”, conta com mágoa. É, realmente o painel com quase três metros de altura por 15 de comprimento vai se esvaindo até se tornar um amontoado de cimento sem forma definida. Questionado, o jovem recepcionista — que provavelmente ainda engatinhava quando Jordão ‘pegou o serviço’ — não soube dizer o nome do artista e afirmou que a parte inacabada tinha desmoronado (!).

Outra grande obra do artista é a fachada do Centro de Convenções de Natal, no início da Via Costeira em Ponta Negra — avenida entre o mar e o Parque das Dunas (área de proteção ambiental) onde se concentram os principais hotéis da cidade. Ao todo são seis painéis: o externo, de aproximadamente sete metros de altura por 25 de comprimento, retrata a paisagem costeira com coqueiros, cajus, jangadeiros e deusas das águas. No saguão de entrada, uma enorme rendeira e um pescador carregando peixes e cajus dão as boas vindas. Mais adiante no foyer do auditório, também feito de cimento, um trabalho com motivos indígenas domina uma das paredes. Na ala central, dois painéis de latão: de um lado um retrato do cangaceiro Lampião, do outro as salineiras de Macau — cidade do litoral norte do Estado, maior pólo produtor de sal do País.

“Também trabalho com barro, areia, latão e madeira, mas gosto mesmo é do cimento”, garante. Jordão contou que o painel principal do Centro de Convenções levou cerca de três meses para ser concluído.

A um passo de ganhar o mundo

Sem telefone para contato, cruzei Jordão dentro de um ônibus e fiquei sabendo que ele havia voltado à ativa e que estava restaurando seus trabalhos no Centro de Convenções. Encontrar esse artista ermitão é uma raridade, era a oportunidade que faltava para marcar um encontro no dia seguinte.

E o amor entra na história

Mas 'peraê': como assim "voltado à ativa"?

Antes de contar o porquê dessa “volta à ativa”, e é aí que entra o amor na história, tem outros dois trabalhos que merecem destaque: um painel no posto de gasolina Santo Expedito, situado na avenida Alexandrino de Alencar, bairro Barro Vermelho, e o maior painel de concreto da América Latina que enfeita a fachada do edifício residencial Riomar, na Cidade Alta, com motivos tropicais. “Aquele do posto é um dos que mais gosto, é uma romaria conduzida por Luiz Gonzaga à casa de Frei Damião (se é que ele tinha uma casa fixa?) e o do Riomar é que está no Guiness (livro dos recordes)”, informa.

Seu método de trabalho parece simples: “Ninguém me diz o que quer. Faço uma pesquisa, converso com as pessoas que estão encomendando o trabalho para ver o que elas querem, o que estão pensando. Aí imagino tudo e faço os riscos na parede. Depois vem o pedreiro e ajudantes que vão cortando o cimento de acordo com o que vou dizendo... e por aí vai”.

Bem, depois de todos esses trabalhos seu nome ficou conhecido na praça e os convites para trabalhar em outros lugares foram surgindo. “Nessa época fui expor na primeira Bienal de Fortaleza e depois fui trabalhar para um estrangeiro no Rio de Janeiro que me deu uma passagem para conhecer a França. Passei 15 dias em Paris, mas acabei nem conhecendo muita coisa... sabe como é: não estava bem enturmado”, lembra.

De volta ao Rio de Janeiro, foi notícia no Jornal do Brasil e recebeu a proposta de fixar residência por lá mesmo. Estava empolgado e planejou montar sua equipe com gente sua. Retornou à Natal para buscar a família e convidar artistas que haviam sido seus assistentes anteriormente. “Meu erro foi não ter cortado o cordão umbilical. Quando minha família não quis ir comigo ao Rio preferi não voltar. Um erro que até hoje me arrependo. Se fosse hoje não pensaria duas vezes: iria sem olhar pra trás. Perdi toda minha inspiração e deixei de produzir”, confessa com olhar distante.

De artista à ebrio errante, e de novo artista

Jordão mergulhou em um poço que parecia não ter fim: gastou todo o dinheiro que havia ganho, entregou-se à bebida e só fazia uma “esculturazinha ali e outra acolá para levantar um troco”. Nisso passaram-se mais de 15 anos. “Perdi a criatividade, a inspiração. Por desgosto mesmo! Vergonha da sociedade”.

Andou sem eira nem beira, meteu-se com gente que não devia, arranjou confusão até que ‘deu a louca’ e resolveu deixar tudo para trás. Aos 56 anos, morando no mesmo bairro que o viu nascer (parte baixa de Petrópolis, quase Rocas, na beira da praia urbana do Meio), Jordão resolveu atravessar a nado o rio Potengi só com a roupa do corpo e foi se instalar na outra margem, praia da Redinha. O rio Potengi separa a zona norte da zona sul da cidade e, em sua foz, fica o famoso Forte dos Reis Magos. “Na Redinha virei pescador. Passava o dia bebendo e quando precisava pescava alguma coisa”.

Até que um dia alguém o reconheceu e encomendou umas esculturas para decorar um restaurante. “Lembro até hoje: ganhei R$ 250 reais, paguei R$ 150 que devia na praça e guardei R$ 100 em cheque. Sai dali andando, em direção ao norte, até chegar em Maracajaú (praia). Continuei pescando e bebendo, mas aos poucos voltei a me envolver com arte. Dei alguns cursos na cidade e acabei conhecendo Alcione, irmã de uma aluna minha”. Nada estranho se Alcione não tivesse apenas 13 anos, 44 anos a menos que Jordão.

Namorinho de portão

“Foi amor à primeira vista!”, disse a menina que hoje tem 16 anos. “Na verdade me apaixonei antes mesmo de conhecer ele. As meninas diziam que tinha um homem com o nome de Jordão. O artista que estava dando aulas na cidade”. Quando Alcione ficou sabendo que ele estava na padaria, pediu para a mãe pra ir comprar o pão — “e olha que eu nunca queria ir”, salientou. Dava para sentir a curiosidade e o amor que a menina exalava por seu "painho" em todos os seus gestos.

“Conheci ele e comecei a gostar dele. Ele começou a ir lá em casa tomar café e ver televisão, só depois de uns três meses que fomos dar o primeiro beijo. Nunca tinha beijado ninguém e disse que só iria namorar ele se tirasse a barba e parasse de beber”, contou a adolescente. “Aí as pessoas começaram a olhar pra ele... não é amor?! Só que já estávamos namorando”, disse com o aval e o olhar cúmplice e carinhoso do artista.

Claro que Alcione teve que enfrentar toda a família. Ouviu o que não queria, se defendeu como pôde e teve a coragem de sair de casa para viver seu amor. “Foi Alcione que me salvou, quem estendeu a corda para eu sair do poço. Quero me casar com ela. Hoje eu quero é trabalhar e criar minhas obras”, garante. Jordão ainda não se separou no papel da primeira esposa, com quem teve três filhas: Jordânia, Bristiane, de 21 anos, e Joyce, 19.

Com o dinheiro que já conseguiu juntar, comprou uma casinha simples no alto da rua do Motor — com direito à vista para o mar e quintal íngreme com muitas árvores frutíferas — no mesmo bairro onde cresceu. Montou um ateliê improvisado nos fundos, onde me recebeu com vinho e peixe frito. Cheio de planos, pensa em comprar os terrenos vizinhos para construir sua nova casa e um ateliê maior. “Também quero organizar uma exposição individual com os trabalhos de Alcione... ela é meu porto seguro e estou aqui por causa do nosso amor”, aposta.

Se o final será feliz só o tempo dirá, o fato é que a arte de Jordão voltou a correr em suas veias movido pelo amor juvenil de Alcione. Disso ninguém pode duvidar!!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Gerson Castelo Branco
Texto Joni Anderson | Adaptação Renacha Batista | Fotos Divulgação
Nascido em Parnaíba, no Piauí, designer autodidata, Gerson Castelo Branco já soma 40 anos de profissão. Em centenas de trabalhos, ele conseguiu imprimir o seu estilo na arquitetura e no design de interiores, reconhecido inclusive internacionalmente. Mas a história desse profissional começou totalmente por acaso aos 14 anos, quando a família já havia se mudado para Fortaleza.

Desajeitado nos esportes, foi nessa época que descobriu a habilidade de reproduzir e desenhar uma perspectiva. Tomou gosto pela coisa. Depois, prestou por duas vezes vestibular para a faculdade de arquitetura, mas acabou entrando na Universidade de Belas Artes na Bahia. Não concluiu, mas apurou ainda mais o olhar.

“Eram os anos 1970 e a Bahia de Caetano, Gal e Gil, era o lugar efervescente para se estar naquele instante”, relembra. Nessa época, já trabalhava informalmente em um escritório de arquitetura. Tornou-se autodidata e também pôs o pé na estrada, no melhor estilo hippie, on the road. Visitou a Cordilheira dos Andes, adentrou a selva amazônica, conviveu com tribos indígenas e ficou totalmente sem dinheiro.





“A vivência dos povos andinos foi uma experiência transcendental; me deixou com outros hábitos. Quando regressei ao Brasil, já não conseguia morar na cidade nem entendia a ostentação arquitetônica de muitas casas. Vivemos numa incoerência absurda, com arquitetura e décor europeus e necessidades de um país tropical. Essa experiência me fez buscar alternativas”



De volta ao Piauí, resolveu virar ermitão, construiu a sua própria casa de praia no meio do nada e da maneira mais rústica possível. Sem água, sem luz, nem estrada por perto. Gerson ergueu paredes de taipa, utilizou a palha de carnaúba no teto e esteiras de cipó de macaco. O mobiliário, todo reaproveitado, era fundamentalmente formado por chaises imensas, também aproveitadas como camas. Gerson também usou mobiliário artesanal do Ceará.  “Usei tudo o que estava à mão para transformar”.

Despretensiosa e original, a casa virou um ícone. Ainda hoje, a Casa da Pedra do Sol é ponto turístico da Praia do Coqueiro. Gerson mal sabia, mas aí começariam as bases e os diferenciais do seu trabalho, que batizou de "Paraqueira", como ele designava, ainda criança, a alegria, a satisfação, os momentos alegres da infância.

Datada de 1986, a Casa da Pedra do Sal, na ilha de Santa Isabel, no Piauí, foi construída em carnaíba, laje de castelo e talo de babaçu. Para o seu autor, defensor da identidade brasileira e de raízes nordestinas na arquitetura e no décor, a casa contempla e respeita a natureza
Mais tarde, numa dessas coincidências, descobriu que paraqueira é também o nome de uma árvore da Amazônia. Hoje, é significado de identidade, de resgate das raízes culturais na arquitetura, no décor e no design. “É uma  proposta de morar diferente, é a identidade brasileira com raízes nordestinas, preocupada com a melhor implantação do projeto no local; respeito à natureza, reverência ao sol, à ventilação, à natureza”, complementa o autor.



A partir daí, a procura para a execução de projetos residenciais não parou mais. Primeiro foi chamado para reformar uma casa de praia. Na sequência os pedidos começaram a chegar da capital. “A arquitetura de Teresina era uma arquitetura de caixas, cheia de vidros, algo cenográfico, mas fora da realidade quente do estado. Fiz isso durante três anos, mas também era muito influenciado pela arquitetura de Janete Costa e Acácio Gil Borsoi”, diz. “Um casal genial que revolucionou a arquitetura estabelecida. Janete foi uma amiga do coração; fazíamos jantares na casa deles em Recife”.

A experiência pela Amazônia também influenciou o trabalho de Gerson e ajudou a definir um de seus traços marcantes: o emprego das formas geométricas da asa-delta, que também lembram dobraduras ou os origamis de papel. Na serra, a 700 metros de altitude, ele ergueu uma casa assim, montada sobre pilares com mão-francesa e meias-paredes. Na prática, também passou a usar novos materiais, antes mesmo da questão ecológica entrar em pauta. Eucalipto autoclavado, tetos altos em taubília, também passaram a ser recorrentes em seus trabalhos.


Situada em Viçosa, no Ceará, o projeto Paraqueira in Natura foi planejado em um terreno de 33 hectares de mata preservada rodeada por sete cachoeiras. Apesar das formas rebuscadas, a casa não passou por nenhuma prancheta. O resultado é esta construção que concedeu três prêmios e 8 páginas na Architectura USA para Gerson Castelo Branco. A construção começou a partir do telhado com toras de Carnaúba, talos de babaçu, madeira, pedra e vidro

A partir de 1978, seus projetos foram descobertos e publicados pela primeira vez em uma publicação dirigida por Olga Krell e seu olhar especial para o talento. Foi o primeiro reconhecimento dos muitos que vieram a seguir. Prêmios nacionais e internacionais e matérias na revista norte-americana Architectural Digest (revista que comparou suas criações às de Frank Lloyd Wright) são alguns dos pontos altos do trabalho de Gerson.

Mesmo autodidata, além de aumentar os projetos, seu conhecimento e originalidade o levaram a ser chamado para palestras e eventos de arquitetura justamente por ser precursor desse apelo sustentável. Na Costa Rica, foi convidado especial de um encontro mundial de arquitetura verde. Fotografados, outros projetos foram publicados na Rússia, Austrália, Alemanha, França, Itália e até no longínquo Vietnã. “Já fazia pela própria vivência e necessidade... Tudo era improvisado”. Mas suas linhas não são exatamente para locais longe da metrópole. Ele assina projetos urbanos inconfundíveis, para onde leva suas propostas devidamente adaptadas à urbe.

Hoje, Gerson Castelo Branco mora em Viçosa, cidade na divisa entre Ceará e Piauí, tem escritório em Fortaleza e uma casa de praia no Piauí. Mantém vivo o espírito aventureiro e o olhar atento para os recursos naturais. Aprendeu paisagismo, aprimorou o décor de interiores, mas não afrouxou a visão própria sobre o Brasil e os brasileiros na questão. “Ainda hoje há uma interferência muito grande das referências estrangeiras na arquitetura e na decoração. Convivo com proprietários que compram mobiliário em Miami mas também aprenderam a valorizar elementos artesanais. A casa virou um grande parangolé”, brinca.

No litoral norte de São Paulo, a casa projetada por Gerson Castelo Branco preserva a mata e se integra ao meio ambiente graças aos pilares de eucalipto autoclavado com 15 metros de altura
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Arquitetura vernacular

De Wikipédia, a enciclopédia livre

Denomina-se arquitetura vernacular a todo o tipo de arquitetura em que se empregam materiais e recursos do próprio ambiente em que a edificação é construída. Desse modo, ela apresenta caráter local ou regional.

A cidade brasileira de Ouro Preto é um exemplo desse tipo de arquitetura, uma vez que foi erguida aproveitando as pedras de sua região. Em outros locais ou regiões, ao longo da história, foram empregadas, também por exemplo, a madeira, as taipas de mão e de pilão, e o adobe, que aproveitam os recursos do próprio terreno para erguer as edificações.

O direito à água potável Mesmo que a porção líquida e não salgada seja ínfima em relação à quantidade total, é essa parcela a mais adequada para ser aproveitada, seja diretamente, seja depois de purificada, para o uso mais nobre entre todos: o abastecimento humano na alimentação e na higiene pessoal e doméstica. É fundamental que se destaquem e se distingam as especificidades desse uso, diferenciando-o, no conjunto da “questão da água”, A água potável é indispensável à vida e à saúde humanas. Desde que a ciência comprovou a relação entre a água contaminada e a veiculação de doenças, o abastecimento de água com qualidade própria para ingestão, preparo de alimentos e higiene pessoal passou a constar com prioridade entre os direitos de todos os cidadãos. Além de fator de bem estar individual, a disponibilidade de água tratada é reconhecida como determinante de desenvolvimento social e econômico.