terça-feira, 25 de setembro de 2012

Construções diferentes - Taipa

A taipa é amplamente usada no mundo inteiro.
No Brasil seu uso remete ás construções precárias do interior.

Minha mãe nasceu numa casinha assim no interior da Paraíba

Porém com o mesmo método  de construção é possível fazer muito mais do que apenas casebres humildes.

"A taipa leve é uma técnica consagrada na Alemanha, sendo usada principalmente para fazer divisórias internas e compartimentos. Essa técnica utiliza principalmente a palha de arroz, o que garante um lindo visual natural." segundo o Bio construindo 



Olha como a Taipa pode ser moderna e bonita



"A técnica de construção com terra foi o ponto de partida do arquiteto Maurício Venâncio nesta casa em Limeira, SP. Com 90 m², a construção tem colunas estruturais de tijolo de solo-cimento, paredes externas de taipa de pilão e internas de pau a pique, pintadas com tinta à base de terra." Planeta Sustentável

A taipa é feita assim




E pode receber acabamento como qualquer outra forma de construção



O grande problema da taipa é a baixa resistência a interpéries.
Exemplo:
 São Luís do Paraitinga em SP sofreu alagamentos. Depois que a cidade estava seca viu-se o prejuízo: A maioria das construções históricas da cidade eram de taipa. Por ficarem embaixo dágua não resistiram, muitos vindo abaixo.


Casarão em São Luis do Piraitinga


É possível usar a taipa de forma elegante e segura





Eu faria, honestamente, um espaço na minha casa com 


essa técnica. 

Dá pra trabalhar lindamente e tem todo o conforto 


acústico e térmico necessários.

domingo, 16 de setembro de 2012

Burle Marx

Se estivesse vivo, Roberto Burle Marx faria 102 anos nessa semana.
Roberto Burle Marx
Um dos maiores paisagistas do século XX, ele revolucionou a arte de projetar jardins no período modernista, reconhecido mundialmente por sua arte de formas orgânicas e geométricas.
Jardim suspenso do Banco Safra, SP
Natural de São Paulo, nasceu no dia 4 de agosto de 1902. Quarto filho de uma família de seis irmãos. O pai era alemão e a mãe, pianista pernambucana, costumava promover eventos para músicos da cidade, fazendo com que Burle Marx tivesse contato com a música desde pequeno. Em 1913 mudou-se para o Rio de Janeiro com a família, onde eram vizinhos do arquiteto Lucio Costa.
Com 19 anos Burle Marx viajou com a família para a Alemanha para fazer tratamento de vista. Em contato com exposições de artistas como Picasso, Matisse e Van Gogh, começou a ter aulas de pintura e canto. Mas foi frequentando o Jardim Botânico de Berlim, com grande presença de espécies nativas do Brasil, que despertou sua maior vocação.
Um ano depois retornou ao Brasil e começou a estudar arquitetura na Escola de Belas Artes, passando depois para pintura.
Seu primeiro projeto paisagístico foi para casa projetada por Lucio Costa e Gregori Warchavchik, em 1932. Com a repercussão dos primeiros projetos, foi convidado a assumir o cargo de diretor de Parques e Jardins de Recife, onde teve a oportunidade de fazer seus primeiros jardins públicos. A partir daí o aumento no número de projetos e reconhecimento profissional foi evidente.
Além de paisagista, Burle Marx foi um grande desenhista, pintor, tapeceiro, ceramista, escultor, pesquisador, cantor e criador de jóias, se destacando em todas as áreas.
Tapeçaria feita por Burle Marx
Tive a oportunidade de visitar seu sítio na Barra de Guaratiba, próxima à cidade do Rio de Janeiro em abril de 2009 em viagem junto com outros alunos do curso de paisagismo. O Sítio Santo Antônio da Bica, que ele adquiriu em 1949, foi a concretização de um sonho: possuir espaço suficiente e adequado para abrigar sua vasta coleção de plantas. Com aproximadamente 600.000m² de área, possui mais de 3.500 espécies. Em 1985 o Sítio foi doado ao governo federal, passando a se chamar Sítio Burle Marx, procurando garantir a manutenção e integridade física da propriedade. Hoje é considerado patrimônio cultural pelo IPHAN.
É um passeio encantador, onde pode ser visitada a casa onde ele morava, construções históricas, seu ateliê e sua imensa coleção de plantas, todas dispostas de forma super harmoniosa.

Em expedições pelo Brasil em parceria com botânicos e naturalistas, Burle Marx descobriu novas espécies de plantas que hoje levam seu nome, como a Heliconia burle-marxii.
Heliconia burle-marxii
Sempre preocupado com a questão ecológica e preservacionista, proferiu palestras e conferências sobre o tema.
Quem mora em Brasília tem o grande privilegio de encontrar suas obras pela cidade, como os jardins do Palácio do Itamaraty, Tribunal de Contas da União, quadra residencial da 308 sul, Praça dos Cristais no Setor Militar Urbano, entre outros. Infelizmente vários desses jardins não estão conservados e perderam muito das suas características originais.
Quadra 308 sul
Jardim terraço do Palácio do Itamaraty
Praça dos Cristais no Setor Militar Urbano
São inúmeras as obras famosas do paisagista como a residência Edmundo Cavanellas, Banco Safra em São Paulo,  Aterro do Flamengo, os jardins do Museu de Arte Moderna, calçadas da Avenida Atlântica em Copacabana e o antigo Ministério da Educação e Saúde (atual Edifício Gustavo Capanema) no Rio de Janeiro.
Residência Edmundo Cavanellas, RJ
Jardim do MAM, RJ
Terraço do Edifício Gustavo Capanema, RJ
Muitos de seus projetos de paisagismo parecem pinturas pela sua composição, mas com um cuidado minucioso de disposição das plantas de acordo com suas características.
Projeto jardim suspendo do Banco Safra, SP
Poderia escrever muito mais sobre Burle Marx e não seria o suficiente para expor sua vasta obra. Aqui apresentei um resumo de sua vida e arte como uma singela homenagem dessa grande fã!
Informações sobre o Sítio Burle Marx: http://sitioburlemarx.blogspot.com
Fontes:
LEENHARDT, Jacques (org.). “Nos Jardins de Burle Marx”. Ed. Perspectiva. São Paulo, 2006.
SIQUEIRA, Vera Beatriz. “Burle Marx”. Espaços da Arte Brasileira. Ed. Cosacnaify. São Paulo, 2004.
Imagens:
Acervo pessoal



Esse "cabra" fez tudo aquilo que eu pensei em fazer... Chato isso... Mas fez melhor do que eu faria... Talvez por não me ter ao seu lado para atrapalha-lo...

Gosto muito de suas obras, muito...

Um gênio... E aqui lhe presto minhas ho
menagens... Roberto Burle Marx.

Paz. Alex Prado

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Fanatismo - Florbela Espanca!!

Meninas, ontem estava assistindo à novela Ti-Ti-Ti, amoooooooo, quando vi o personagem Renato, "declamando" uma poesia para Marcela, que me pareceu bem familiar, fiquei emocionada e feliz ao mesmo tempo, pois hoje em dia, a maioria dos jovens não lêem mais, e tenho certeza que muitos ficaram curiosos em saber que poesia era aquela, quem a escreveu, pois é uma poesia linda, que fala de um amor puro, cada vez mais raro!!!Na verdade sempre adorei literatura, poesia, poemas, e lia tudo que me era apresentado, mas apesar disso, não foi através destas leituras que a conheci, foi nos anos 80, através do Fagner, que transformou a poesia em uma belíssima música, e eu curiosa como era, fui pesquisar de quem era aquela letra maravilhosa, (naquela época não tínhamos Google, era pesquisa em biblioteca mesmo, ou na nossa querida "Barsa"), e descobri que a letra não era dele e sim de uma precoce poetisa portuguesa que se chamava Florbela D’Alma da Conceição Espanca, ou Florbela Espanca como é conhecida, me encantei por ela que com apenas 36 anos, tão jovem e sofrida, desistiu de viver, mas deixou poesias maravilhosas, (li várias poesias dela, era uma autora de uma sensibilidade incrível), sempre falava de amor, tristeza, saudade, solidão!!!
Quem gosta de poesias, poemas, sonetos, vale à pena pesquisar sobre a autora!!!





Esta é a poesia em questão:

Fanatismo

Florbela Espanca

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."





Gostaram meninas?

Escolhi esta versão do Fagner com Zeca Baleiro que também amooooooo!!

uma história das pin-ups



Os textos são da matéria de três páginas deste exemplar do Folhetim, do jornal Folha de São Paulo, em agosto de 1977, editado pelo jornalista Tarso de Castro.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

As mulheres de Chico

em geral por em 04 de set de 2012 às 01:08
Poucos artistas descrevem tão bem o universo feminino, como Chico Buarque. Os amores e desamores, e a fragilidade dos sentimentos do sexo dito como frágil, são os principais assuntos de suas canções.
Chico-Buarque1.jpg
Chico Buarque é um poeta de alma. Suas composições repletas de declarações de amor, são tudo que a maioria das mulheres gostaria de ouvir, ou até mesmo de dizer à alguém. São Marias, Luízas, Yolandas, Rosas, Ritas, que sofrem ou são objeto de desejo. Em Olhos nos olhos, Chico diz o que muitas mulheres diriam para seus homens, como o trecho clássico "Olhos nos olhos, quero ver o que você faz, ao sentir que sem você eu passo bem demais", que define a volta por cima depois da turbulência do fim de um relacionamento.
O cantor é um expert em desvendar os mistérios femininos. Descreve mulheres fortes, frágeis, guerreiras, que dançam no meio dos salões e arrasam corações por onde passam. Mulhes que esperam por seus amores, choram por suas dores e acima de tudo, lutam por aquilo que querem.
Fica evidente a admiração que ele possui pelas mulheres. Até mesmo traições acabam sendo ditas da maneira mais carinhosa possível "Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida, pra agradar meu coração", é o que diz um homem ao voltar para a amada, arrependido por andar de bar em bar. A mulher, apaixonada, concede o perdão e esquenta o jantar para ele. Eterno apaixonado, porém, entre todas as suas musas, Luísa, sua filha, se destaca e dá nome a uma de suas mais belas canções. Por ela, ele faz a lua, faz a brisa, pra Luísa dormir em paz. Outro ponto forte em suas composições, é a militância. Em "Acorda amor", ele relata o momento de uma invasão militar, enquanto ele dormia com sua amada, e seu exílio "se eu demorar uns meses, convém, às vezes, você sofrer".
chico-buarque-indie.jpg
Uma das características do romantismo de Chico, são as histórias de amor contadas em suas canções. Em "Anos dourados", ele canta o lamento de um homem, divorciado, que ao ver uma antiga foto sua com a ex-esposa, em um dia feliz de dezembro, percebe que ainda a ama, mas que não pode voltar aos anos de ouro que viveu ao lado dela. Já em "A moça do sonho", chico relata um amor platônico, uma mulher perfeita idealizada em um mundo de fantasias. Sua letra diz que se houvesse um lugar onde os sonhos fossem parar, ele não voltaria jamais. E quem voltaria?