Burle Marx
06/08/2011 por Vanessa Zago
Se estivesse vivo, Roberto Burle Marx faria 102 anos nessa semana.
Um dos maiores paisagistas do século XX,
ele revolucionou a arte de projetar jardins no período modernista,
reconhecido mundialmente por sua arte de formas orgânicas e geométricas.
Natural de São Paulo, nasceu no dia 4 de
agosto de 1902. Quarto filho de uma família de seis irmãos. O pai era
alemão e a mãe, pianista pernambucana, costumava promover eventos para
músicos da cidade, fazendo com que Burle Marx tivesse contato com a
música desde pequeno. Em 1913 mudou-se para o Rio de Janeiro com a
família, onde eram vizinhos do arquiteto Lucio Costa.
Com 19 anos Burle Marx viajou com a
família para a Alemanha para fazer tratamento de vista. Em contato com
exposições de artistas como Picasso, Matisse e Van Gogh, começou a ter
aulas de pintura e canto. Mas foi frequentando o Jardim Botânico de
Berlim, com grande presença de espécies nativas do Brasil, que despertou
sua maior vocação.
Um ano depois retornou ao Brasil e começou a estudar arquitetura na Escola de Belas Artes, passando depois para pintura.
Seu primeiro projeto paisagístico foi
para casa projetada por Lucio Costa e Gregori Warchavchik, em 1932. Com a
repercussão dos primeiros projetos, foi convidado a assumir o cargo de
diretor de Parques e Jardins de Recife, onde teve a oportunidade de
fazer seus primeiros jardins públicos. A partir daí o aumento no número
de projetos e reconhecimento profissional foi evidente.
Além de paisagista, Burle Marx foi um
grande desenhista, pintor, tapeceiro, ceramista, escultor, pesquisador,
cantor e criador de jóias, se destacando em todas as áreas.
Tive a oportunidade de visitar seu sítio
na Barra de Guaratiba, próxima à cidade do Rio de Janeiro em abril de
2009 em viagem junto com outros alunos do curso de paisagismo. O Sítio
Santo Antônio da Bica, que ele adquiriu em 1949, foi a concretização de
um sonho: possuir espaço suficiente e adequado para abrigar sua vasta
coleção de plantas. Com aproximadamente 600.000m² de área, possui mais
de 3.500 espécies. Em 1985 o Sítio foi doado ao governo federal,
passando a se chamar Sítio Burle Marx, procurando garantir a manutenção e
integridade física da propriedade. Hoje é considerado patrimônio
cultural pelo IPHAN.
É um passeio encantador, onde pode ser
visitada a casa onde ele morava, construções históricas, seu ateliê e
sua imensa coleção de plantas, todas dispostas de forma super
harmoniosa.
Em expedições pelo Brasil em parceria com
botânicos e naturalistas, Burle Marx descobriu novas espécies de
plantas que hoje levam seu nome, como a Heliconia burle-marxii.
Sempre preocupado com a questão ecológica e preservacionista, proferiu palestras e conferências sobre o tema.
Quem mora em Brasília tem o grande
privilegio de encontrar suas obras pela cidade, como os jardins do
Palácio do Itamaraty, Tribunal de Contas da União, quadra residencial da
308 sul, Praça dos Cristais no Setor Militar Urbano, entre outros.
Infelizmente vários desses jardins não estão conservados e perderam
muito das suas características originais.
São inúmeras as obras famosas do
paisagista como a residência Edmundo Cavanellas, Banco Safra em
São Paulo, Aterro do Flamengo, os jardins do Museu de Arte Moderna,
calçadas da Avenida Atlântica em Copacabana e o antigo Ministério da
Educação e Saúde (atual Edifício Gustavo Capanema) no Rio de Janeiro.
Muitos de seus projetos de paisagismo
parecem pinturas pela sua composição, mas com um cuidado minucioso de
disposição das plantas de acordo com suas características.
Poderia escrever muito mais sobre Burle
Marx e não seria o suficiente para expor sua vasta obra. Aqui apresentei
um resumo de sua vida e arte como uma singela homenagem dessa grande
fã!
Informações sobre o Sítio Burle Marx: http://sitioburlemarx.blogspot.com
Fontes:
LEENHARDT, Jacques (org.). “Nos Jardins de Burle Marx”. Ed. Perspectiva. São Paulo, 2006.
SIQUEIRA, Vera Beatriz. “Burle Marx”. Espaços da Arte Brasileira. Ed. Cosacnaify. São Paulo, 2004.
Imagens:
Acervo pessoal




















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